terça-feira, 2 de agosto de 2011

Chop suey - ou "o mundo é uma salada russa"

Vou tentar escrever um post rápido: eu sempre levo horas e por isso nunca atualizo o blog! Mesmo assim, não consigo escrever direto aqui, sempre tenho que passar pelo editor de texto antes, enfim, manias... Hoje fiz “Chop Suey”, um prato da cozinha chinesa, mas que alguns dizem que não é da China coisa nenhuma e foi criado nos restaurantes de comida chinesa nos Estados Unidos, por imigrantes chineses. Não tenho fontes confiáveis, só dei uma olhadinha rápida em alguns sites (para uma quase bibliotecária, fontes confiáveis são imprescindíveis!), mas não importa, trata-se de um picadinho de legumes e carne, com molho shoyu.

Existem várias receitas diferentes, onde os ingredientes variam bastante, mas gostei da receita deste site: http://mundodesabores.com.br/receitas/chop-suey, então não vou repetir aqui. Essa receita é flexível, pode-se usar carne vermelha, frango ou camarão, e até mesmo todos juntos. No modo de preparar a cenoura foi esquecida, então refoguei junto com a ervilha, mas tanto faz, o importante é refogar os legumes separados pra que não cozinhem demais. Rende muito! Fiz a foto do molho, depois acrescentei massa espaguete, ficou ótimo, mas acabou a pilha da câmera e não tenho foto com a massa. Também pode ser servido com arroz.

Fonte: elaborado pela autora

Agora vou contar por que resolvi fazer essa receita. Estava estudando, lendo o livro “Por que estudar a mídia?”, do Roger Silverstone, Editora Loyola. Como ele faz várias referências a coisas e fatos ocorridos há algum tempo, costumo consultar o Google pra ter certeza do que ele está falando. No capítulo “Globo”, onde ele trata da globalização, falando da mistura de culturas ele menciona o chop suey. Achei que era uma comida, mas não lembrava qual e resolvi olhar: quem resiste a fotos de receitas? Eu não! Para o autor:
[...] As culturas híbridas que se formam tanto no centro como na periferia do sistema mundial, culturas ainda significativamente moldadas por políticas culturais nacionais, aparecem em todos os níveis. E nós, pois essas são nossas culturas, nos confrontamos com uma constante interação de identidade e diferença. Num minuto Diet Coke, no outro chop suey. (SILVERSTONE, 2005, p. 204-205).
No caso da minha janta foi realmente uma hibridização de culturas, pois a carne era a que tinha sobrado do churrasco do final de semana, sabe aquele pedaço que não assa muito bem e fica vermelho por dentro: vai picadinho pra panela. E não tomamos Diet Coke, mas vinho da Serra Gaúcha. Mais híbrido impossível! E pra terminar, uma salada russa: “O mundo”, composição do André Abujanra, com Ney Matogrosso e Pedro Luis e a Parede.


Referência:
SILVERSTONE, Roger. Por que estudar a mídia? 2. ed. São Paulo: Loyola, 2005.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Agora o kitsch: kitsch a valer!

Estamos num período de reformas aqui em casa, vamos fechando a quinta semana de obras na cozinha, acho que será a última (Oxalá!). Parece que quanto menos coisas faltam para terminar, mais tempo leva... Enfim, uma hora terá que acabar! Depois que os pedreiros forem embora e tivermos a “reintegração de posse” da área, ainda temos que fazer a pintura, construir um balcão de pia e colocar um azulejinho em cima. Só então passaremos para a parte boa: comprar os móveis novos e decorar! Precisamos de um armário para louça e uma mesa maior e retangular (a atual é redonda).

Não gosto de móveis planejados e moderninhos, com cara de folheto de loja, nem daquelas cozinhas ultra clean, que tem que prestar atenção para identificar onde é o fogão, tudo “pasteurizado”, linhas retas... Maldita Bauhaus! – brincadeirinha, a escola alemã tem o seu valor, claro! Mas sou kitsch! “Kitsch a valer” como costumamos falar aqui em casa, misturando o “chic a valer” (do post anterior) com o kitsch, que é um termo em alemão para designar um certo “gosto duvidoso”. Existem muitas explicações para o “estilo”, mas o que o caracteriza, resumidamente, é o exagero e a inadequação, como por exemplo, gostar de coisas de outros tempos (ora, pois, então sou mesmo muito kitsch, adoro um móvel antigo, moro num apartamento antigo!). Ao mesmo tempo em que é associado ao mau gosto, também é associado à busca pelo conforto e pequenos prazeres domésticos e cotidianos (ora, quem não quer? Quem não quer ser kitsch sob este aspecto? “Que atire a primeira pedra”!). Enfim, duvidoso ou não, assim como a Adriana Calcanhoto, na música “Senhas”, “eu não gosto do bom gosto, eu não gosto de bom senso, eu não gosto dos bons modos, não gosto”...

Nosso passeio “recorrente” nos finais de semana é ir ao “Bric da Redenção” e à feira de antiguidades da Cidade Baixa, no sábado, para “garimpar” (os blogs e revistas de decoração usam esse termo para objetos encontrados em feiras de antiguidades, então, não podia deixar de usá-lo – mas prestem atenção no itálico, que representa a figura de linguagem ironia!). Temos até uma versão particular para a música “Lady Marmalade” da Christina Aguilera/Lil' Kim/Pink Fairies/Mya, na parte em que elas cantam “Gichie gichie ya ya da da (hey hey hey)”, nós cantamos “Kitsch kitsch ya ya da da (hey hey hey)”, sempre que voltamos para casa carregados de pratos “Colorex” ou de arandelas enferrujadas.


Voulez-vous coucher avec moi, ce soir (ce soir)
Voulez-vous coucher avec moi (ooh)
Come on, sister... todos temos um pouquinho do Moulain Rouge dentro de nós!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Areia de Bali

Não, este não é um post sobre as minhas paradisíacas férias de verão. “Areia de Bali” é o nome da cor escolhida para pintar a sala aqui de casa. Eu, que não conheço a Indonésia, precisando pintar as paredes, achei que um tom de cerâmica, bem claro, quase neutro, mas levemente rosado (veja bem, “rosado” é muito, muito, diferente de rosa), ficaria bem. Passo seguinte: examinar os catálogos de tintas para encontrar a que mais se parecesse com o imaginado. Encontrado: da “Coral Decora” – no catálogo era um areia, levemente rosado, era exatamente o que tinha pensado. Depois de processada a tinta na máquina, à primeira vista o tom já estava bem mais vivo que no catálogo, poderíamos chamar de salmão, mas a teoria é sempre de que a tinta “fecha” um pouco, depois de passada na parede, ou seja, fica mais “séria”. Não tendo um plano “B” – uma segunda opção de cor – e percebendo que o que se vê no catálogo não é exatamente o que se vê na lata (ou seja, se escolhêssemos outra cor, sabe-se lá no que não daria), vamos lá, testar na parede pra ver como fica. Em casa, olhando pra sala e pra tinta, cadê a coragem de passar na parede. Uma pincelada aqui outra ali, no meio da tinta existente (um areia normal, areia mesmo) a nova ficava cada vez mais rosa.

Bramstorm: misturar uma latinha de cinza para “quebrar” o rosa (será que vai adiantar?); misturar uma latinha de cerâmica, desse bem escuro que já tem pronto em qualquer ferragem, não precisa mandar fazer na máquina (mas talvez fique mais rosa ainda, pois tem vermelho na composição); misturar branco (vai dar rosa bebê); quem sabe o resto do “amarelo canário” do apartamento anterior, ficaria mais alaranjado (mas tem muito pouco); talvez uma lata de marrom (ficaria muito escuro?)... Decidimos pintar o corredor, que dá acesso da sala para os quartos e o banheiro, para ver como ficaria a cor em todas as paredes, pois no meio da tinta existente não dava pra ver direito. A cada demão ficava cada vez mais rosa, mas até que estava ficando bom! O mais estranho da cor é que a cada hora do dia ela é uma, às vezes salmão, às vezes o neutro que se vê no catálogo, e às vezes tão rosa que tínhamos a certeza de que não pintaríamos a sala com ela. Alguns dias até parar de estranhar a cor, mais algumas idas e vindas em cada uma das idéias do bramstorm, considerar que a sala é bem maior que o corredor e com os móveis, escuros, talvez não ficasse ruim. Coragem, até pra pintar a sala de rosa é preciso coragem!

Acabado o processo, estou gostando da cor! Não ficou tão neutro quanto a idéia inicial e nem tão vivo quanto os temores à primeira vista. A tinta não cobria muito bem, pois preferimos tinta fosca, que esconde melhor os defeitos da alvenaria. Como a tinta existente era acetinada, mesmo lixando, foi mais difícil de cobrir, foram necessárias três demãos pra acabar com as manchas. Costumo dizer que a tinta de baixo fica “tentando aparecer”, é como um fantasma querendo trazer as vibrações dos antigos moradores do lugar, por isso, cuidado com as manchas, é preciso cobrir tudo!

A foto, claro, não é fiel à realidade, aliás, nem a realidade é fiel, a cada ângulo um tom, a cada hora do dia um matiz diferente.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Chic a valer

Há um tempão que não faço um postzinho pra esse blog abandonado... Mas, voilà, o primeiro post do ano! (Aproveitando: um super 2011 pra todo mundo!) Tenho alguns posts pela metade, mas a correria da faculdade no final do semestre passado não me deixou tempo de atualizar o blog. E agora que estou de férias, parece que a cabeça fica tão vazia que também não é possível concluir nada... Hoje de tarde, porém, recebi uma carta de uma prima que mora longe, longe, e adorei! Sim, uma carta, escrita à mão, em papel pautado, próprio para cartas, caligrafia perfeita, linda! Chic a valer!

A expressão que dá nome ao post é usada na obra “Os Maias” (1888), do escritor português Eça de Queirós (1845 – 1900), que já caiu em domínio público e pode ser lida aqui. Há também uma minissérie, adaptação feita por Maria Adelaide Amaral, que junta “Os Maias” com “A Relíquia”, do mesmo autor (tem no YouTube). A obra retrata os costumes da sociedade de Lisboa da época, contando a história de três gerações da família Maia: o avô, Afonso da Maia, o pai, Pedro da Maia e o filho, Carlos Eduardo da Maia (Le Docteur ou Doctor Maia). O livro é imenso, mas ainda maior é o prazer de ler, é ótimo: recomendado, recomendadíssimo (o superlativo também era bastante usado à época, como poderá observar quem se dispuser a ler, especialmente pelo personagem João da Ega, de longe o meu preferido)! Outro personagem ótimo e hilário é o Dâmaso Salcede, ele é quem mais usa o “chic a valer”, pois é essa sua maior preocupação.

Pensei imediatamente na expressão quando li a carta porque receber cartas agora é coisa inusitada, motivo de felicidade, um luxo, “chic a valer”, é sim, é para poucos: quem lembra da última vez que recebeu uma carta? Eu lembro, antes da de hoje, claro, foi um cartão de Natal, enviado por uma tia (qualquer semelhança não é mera coincidência, pois é a mãe da prima que enviou a carta!). E agora o supra sumo do chic: sabendo que gosto de fazer bolos, além das belíssimas duas páginas manuscritas, a moça me envia uma receita de Muffins de Banana, numa ficha própria para receitas, que compartilho aqui (o modo de fazer veio no verso, que está assinado e não vou escanear, quando testar a receita publico em outro post):


Très chic!!!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Feijoada de Peixe

Neste inverno que passou, tive o prazer de testar uma receita ótima para o frio e que deu certo: feijoada de peixe. Encontrei num livrinho de receitas, desses de bolso, da LPM. Havia comprado o livro no início do ano (em um sebo na Osvaldo Aranha - Ábaco Livros), mas deixei para experimentar a feijoada quando a temperatura baixasse. Não postei aqui antes (do inverno acabar) porque queria colocar uma foto e nas duas vezes que fiz, as fotos ficaram péssimas (ao contrário do sabor, ainda bem!). Resolvi deixar a foto para depois e postar logo, assim se alguém quiser aproveitar esse início de primavera ainda friozinho para testar a receita não irá se arrepender. Fica perfeita acompanhada de um vinho e não precisa de mais nada, talvez pão, pra quem gosta.

 Fonte: acervo pessoal - Mercado Público de Florianópolis/SC
Feijoada de Peixe

Ingredientes:

1 kg de peixe em pedaços
½ kg de feijão branco
1 batata
3 cenouras
1 cebola
2 copos de caldo de peixe
1 copo de vinho branco
3 tomates

Modo de Fazer:
Numa panela ampla, coloque um pouco de óleo e a cebola cortada em pedaços. Em seguida, acrescente os tomates e as cenouras picados. Depois a batata também cortada em pedaços. Em seguida o feijão, que deve ter ficado de molho em água. Acrescente também a água do feijão. Adicione o vinho e o caldo de peixe. Tampe a panela e deixe cozinhar por, no mínimo, 40 minutos. Coloque o peixe cortado e acerte o sal. Deixe cozinhar por mais alguns minutos para aprontar o peixe. Depois é só servir bem quente!

Fonte: LUCCHESE, Fernando; MACHADO, José Antonio Pinheiro. Dieta Mediterrânea. Porto Alegre: L&PM, 2005. 160p. il. (Coleção L&PM Pocket, 468).

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Seu nome

Meu irmão, Patrick Peres, faz Teatro no DAD (Departamento de Arte Dramática da UFRGS), e no semestre passado fez uma peça onde falava um poema do Fabrício Corsaletti (uma entrevista para a Folha aqui e outros poemas aqui), um poeta paulista que eu não conhecia até então. Esse “então”, na verdade, foi um pouco antes de assistir a peça, foi nas férias do verão passado quando voltávamos de carro de Pelotas e o meu irmão aproveitou a viagem para decorar o texto. Depois de alguns quilômetros de leitura, fiz a sabatina, enquanto ele dizia, eu ia conferindo no papel, já estava na ponta da língua e a peça ficou ótima! Adorei o poema, que está no livro Esquimó, da Companhia das Letras, lido pelo próprio autor nesse vídeo e transcrito abaixo. Genial!


Seu nome

(Fabrício Corsaletti)

Se eu tivesse um bar, ele teria o seu nome
Se eu tivesse um barco, ele teria o seu nome
Se eu comprasse uma égua, daria a ela o seu nome
Minha cadela imaginária tem o seu nome
Se eu enlouquecer, passarei as tardes repetindo o seu nome
Se eu morrer velhinho, no suspiro final balbuciarei o seu nome
Se eu for assassinado, com a boca cheia de sangue gritarei o seu nome
Se encontrarem meu corpo boiando no mar, no meu bolso haverá um bilhete com o seu nome
Se eu me suicidar, ao puxar o gatilho pensarei no seu nome
A primeira garota que beijei tinha o seu nome
Na sétima série, eu tinha duas amigas com o seu nome
Antes de você, tive três namoradas com o seu nome
Na rua há mulheres que parecem ter o seu nome
Na locadora que frequento tem uma moça com o seu nome
Às vezes, as nuvens quase formam o seu nome
Olhando as estrelas é sempre possível desenhar o seu nome
O último verso do famoso poema de Éluard poderia muito bem ser o seu nome
Apollinaire escreveu poemas a Lou porque na loucura da guerra não conseguia lembrar o seu nome
Não entendo por que Chico Buarque não compôs uma música para o seu nome
Se eu fosse um travesti, usaria o seu nome
Se um dia eu mudar de sexo, adotarei o seu nome
Minha mãe me contou que, se eu tivesse nascido menina, teria o seu nome
Se eu tiver uma filha, ela terá o seu nome
Minha senha do e-mail já foi o seu nome
Minha senha do banco é uma variação do seu nome
Tenho pena dos seus filhos porque em geral dizem "mãe" em vez do seu nome
Tenho pena dos seus pais porque em geral dizem "filha" em vez do seu nome
Tenho muita pena dos seus ex-maridos porque associam o termo ex-mulher ao seu nome
Tenho inveja do oficial de registro que datilografou pela primeira vez o seu nome
Quando fico bêbado, falo muito o seu nome
Quando estou sóbrio, me controlo para não falar demais o seu nome
É difícil falar de você sem mencionar o seu nome
Uma vez sonhei que tudo no mundo tinha o seu nome
Coelho tinha o seu nome
Xícara tinha o seu nome
Teleférico tinha o seu nome
No índice onomástico da minha biografia haverá milhares de ocorrências do seu nome
Na foto de Korda para onde olha o Che senão para o infinito do seu nome?
Algumas professoras da USP seriam menos amargas se tivessem o seu nome
Detesto trabalho porque me impede de me concentrar no seu nome
Cabala é uma palavra linda mas não chega aos pés do seu nome
No cabo da minha bengala gravarei o seu nome
Não posso ser niilista enquanto existir o seu nome
Não posso ser anarquista se isso implicar a degradação do seu nome
Não posso ser comunista se tiver que compartilhar o seu nome
Não posso ser fascista se não quero impor a outros o seu nome
Não posso ser capitalista se não desejo nada além do seu nome
Quando saí da casa dos meus pais fui atrás do seu nome
Morei três anos num bairro que tinha o seu nome
Espero nunca deixar de te amar para não esquecer o seu nome
Espero que você nunca me deixe para eu não ser obrigado a esquecer o seu nome
Espero nunca te odiar para não ter que odiar o seu nome
Espero que você nunca me odeie para eu não ficar arrasado ao ouvir o seu nome
A literatura não me interessa tanto quanto o seu nome
Quando a poesia é boa é como o seu nome
Quando a poesia é ruim tem algo do seu nome
Estou cansado da vida mas isso não tem nada a ver com o seu nome
Estou escrevendo o quinquagésimo oitavo verso sobre o seu nome
Talvez eu não seja um poeta à altura do seu nome
Por via das dúvidas, vou acabar o poema sem dizer explicitamente o seu nome

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Veludos severos




[...] vi uma menina fugir de casa [...] levando consigo, para toda a vida, o leve e o ilimitado que resistiam aos veludos severos de seu lar [...]. (RAMIL, 2008, p. 245, grifo nosso).



REFERÊNCIA

RAMIL, Vitor. Satolep. São Paulo: Cosac Naify, 2008. 288p., 28 ils.

sábado, 21 de agosto de 2010

The Logical Song



Encontrei esse vídeo do Supertramp, que é uma banda britânica, dos anos 70/80, de rock progressivo. A música é daquelas que todo mundo já ouviu alguma vez, num passado longínquo. Essa versão é acompanhada de orquestra. Fui dar uma olhada na letra e achei bem legal (letra e tradução aqui).

Fala da infância, paraíso perdido, onde os pássaros cantavam e brincavam, porém, logo o expulsaram, para lhe mostrar o mundo real e lhe ensinar a ser “sensato”:

Logical, oh responsible, practical

Oh clinical, oh intellectual, cynical

Mas, é quando todo mundo dorme que as questões seguem profundas demais...
E mesmo sabendo que é absurdo, ele pede pra que lhe digam quem ele é:

But please tell me who I am

E adverte para que tomem cuidado ao responder, pois poderão ser chamados de:

A liberal, oh fanatical, criminal

Para que isso não aconteça, é preciso “assinar o nome”, para que sejamos:

Acceptable, respectable, oh presentable, a vegetable


A poesia sintetiza (lindamente, na maioria das vezes) as grandes questões humanas, e pra que isso seja possível, em poucos versos, é quase que inevitável ir ao extremo. Adoro a música e os versos, mas, na prática, nem tanto, nem tão pouco: nem a infância é tão paraíso assim e nem precisamos ser um vegetal depois de crescidinhos. Acho que a arte serve pra provocar, pra bagunçar um pouquinho a lógica do mundo sensato (mencionada na canção), serve como um alerta: cuidemos pra não sairmos por aí rotulando o mundo e as pessoas, e principalmente nós mesmos! Não precisamos ser o que o mundo espera que sejamos (ou o que a gente acha que o mundo espera!) – dá sempre pra ouvir a alegria dos pássaros cantando, mesmo depois de nos tornarmos abstêmios da mamadeira!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Três receitas de peixes


Como fazemos todo final de ano, passamos o réveillon em Pelotas, com a família. Ainda bem que tinha uma festinha salvadora, a famosa (em Pelotas, pelo menos por enquanto) festa da Helô, pra ir, depois dos brindes, salgadinhos e abraços. Apesar de eu ter passado mal na volta da festa e no dia seguinte (excessos alimentares e etílicos típicos de festas de final de ano), foi bem legal! No dia dois, fomos até a Barra, na cidade de Rio Grande, onde o meu marido, quando criança, costumava passar uns dias nas férias de verão, e onde agora os meus sogros compraram uma casinha que estavam reformando: fomos então conhecer a casa. Os meus ânimos não eram dos melhores, já que ainda não tinha me recuperado totalmente do dia anterior, por isso (e também por que a pilha recarregável da máquina fotográfica tava estragada!) nem tenho fotos da casa, que ainda não estava pronta. Voltamos logo em seguida do almoço. Mas antes de voltarmos, meu marido não podia deixar de passar no galpão dos pescadores pra levar uns peixinhos, que ele adora, sendo de lá, então, melhor ainda! Não tinha muita coisa, mas conversando com o pescador ele conseguiu levar uma anchova inteira, um filé gigante de anjo e um pedaço de cação, que era um bicho enorme! Ainda levou uma tainha pra deixar de presente pro meu irmão, em Pelotas, que ficou lá congelada no freezer, espero que ele tenha feito bom proveito e dado a ela um destino digno: uma boa receita!

Quanto aos nossos, trouxemos pra Porto Alegre em bolsas térmicas, chegaram bem, todos ainda congelados. Aqui em casa, até então, normalmente quem preparava peixes era o meu marido, eu não tinha muita habilidade. Mas como ele estava atarefadíssimo estudando pra concurso todas as noites e todos os finais de semana, além de trabalhar todos os dias, resolvi colocar a mão na massa.

Escolhi primeiro a anchova, que é um peixe ótimo pra assar na grelha, pois é bem gordinho e saboroso, fazíamos isso na praia. Mas aqui, antes de ter a churrasqueira pronta, ainda temos que encarar umas reformas, então tinha que ser no forno mesmo. Fui pesquisar umas receitas na Internet e encontrei um vídeo da sexta-feira santa do ano passado falando das ofertas dos peixes e tal e uma culinarista ensinando a preparar uma tainha assada recheada com farofa. Achei muito bom o vídeo, pois mostra todos os passos, inclusive como costurar o bicho depois de rechear. A tainha e a anchova são peixes que se assemelham, pois ambas tem a tal gordurinha boa pra assar. Resolvi experimentar e ficou uma delícia. É claro que antes eu chamei o meu peixeiro particular pra limpar a anchova e “cortar pelo dorso”, que fica melhor pra rechear. Detalhe: não tinha barbante em casa e tive que fechar com linha de costura, é péssimo porque a linha arrebenta toda hora e tem que emendar, é muito mais complicado, comprem um rolinho de barbante antes de testar a receita!

Esse é o vídeo, mas a receita é só aos 2:55 min:

A segunda vítima foi o cação. Não tava a fim de forno e também não tenho coragem suficiente pra fritar peixe, porque faz muita sujeira (adoro, mas aqui em casa é sempre o Vagner que frita), então fui pesquisar de novo na Internet, mais receitas. Encontrei uma de peixe cozido com manga que achei ótima, mas a manga que eu tinha era muito pequena e tava ainda bem verde. O Vagner achou uma de peixe com mandioquinha, é claro que não tínhamos mandioquinha em casa, mas a batata serve pra quê? Pra compensar o colorido, coloquei um pouquinho de açafrão e pra compensar a consistência (imagino que com a mandioquinha tivesse ficado mais espesso o caldo) uma colher da velha amiga Maizena. Também deu certo! E a manga foi parar na salada de alface!

Por último ficou o filé de anjo, na esperança que o Vagner fizesse uma fritada (o anjo é o meu preferido fritinho). Mas que nada, os estudos em primeiro lugar! Tive eu mesma que dar um fim pro filezão! Depois da tradicional pesquisa na Internet, encontrei uma receita de peixe assado com creme. Não tinha cogumelos em casa, mas substitui por uma latinha de ervilha. Escolhi essa receita porque o peixe vai pro forno coberto com o creme, então não tem perigo de ficar seco, pois o anjo não é como a anchova, não tem a tal da gordurinha. Fritinho ele é the best, mas no forno tem que tomar cuidado. Com o creme por cima ficou tudo de bom! O creme ficou saboroso, e o peixe suculento! Essa eu vou repetir com certeza, porque além de tudo é super fácil e rápida! Aliás, vou repetir todas, porque peixe é uma delícia e ainda faz bem! Das três, não sei qual a melhor, estão todas aprovadíssimas!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Volta às aulas


O semestre começou com tratamento de choque: aula de manhã, de tarde e de noite, frango salgado e feijão queimado no R.U., além do café requentado do bar da FABICO! (Tenho sérias dúvidas em relação ao que será que é misturado àquele pó de café... Acho melhor nem saber!). O lado bom: rever os colegas, apesar de muitos irem ficando perdidos nos semestres anteriores...

Enfim, sobrevivi aos dois primeiros dias, agora é tomar fôlego e começar a gincana! Já temos, é claro, a primeira tarefa para a semana que vem. Mas, como vi escrito numa camiseta hoje de manhã: “La vie est belle” – acreditemos, portanto!